Professor-Doutor-Rui-Matoso


Súmula da Conferência:

O campo cultural, e mais especificamente o “mundo das artes” (Becker, 1984), foram sempre considerados como potenciais zonas de fricção com o status quo vigente, e de onde podem emergir novos agenciamentos críticos e criativos. A revolução cultural de Maio de 1968, representa um marco na viragem das políticas culturais conservadoras na Europa.
No entanto, como bem sabemos, é a escala dos territórios locais que a produção social de espaços de ação diferenciados e significativos - em função dos contextos sociais e culturais concretos- maior potencial permite gerar face às forças alienantes e à desterritorialização provocada pela globalização financeira. Por outro lado, sabemos também que, ao nível local, as práticas de cidadania, de democracia e a diversidade cultural (no seu sentido mais amplo), foram sendo negligenciadas em favor de discursos e de lógicas mercantilistas, e de marketing territorial (competitividade entre “cidades marca”), na formatação de identidades e imaginários no seio de uma cultura financeira (neoliberal).
Com maior incidência a partir de 2007 e da aprovação do Tratado de Lisboa, o capitalismo cognitivo e a economia criativa surgiram como novos paradigmas da economia europeia, dando origem à importação de conceitos como: classes criativas, industrias criativas, cidades criativas, etc, e que hoje ocupam em grande medida o discurso político oficial sem se perceberem concretamente os seus modelos de aplicação aos territórios.
Há diversas razões para que este desvio e (declive, decadência?) se concretizasse nas nossas sociedades e comunidades contemporâneas. Uma delas prende-se certamente com a globalização enquanto sintoma de homogeneização e mercantilização do cultural. Outra das causas encontramo-la no ausente, ou débil, desenho de políticas culturais locais, sem formulação de estratégias publicadas e debatidas, e sem a participação das comunidades na sua formulação, gestão e implementação.
Esta deriva, implícita de várias maneiras nas actuais políticas municipais, confronta-se hoje com reivindicações opostas: a Democracia Participativa, o Direito à Cidade, a Política dos Comuns, os Direitos Culturais, entre outras. Como conceber estratégias artísticas, culturais e políticas que visem o desenvolvimento da Democracia Cultural? Como revitalizar o quotidiano cultural das nossas cidades? De que modo afinal se cumpre a Constituição da República Portuguesa na efectivação da Democracia Participativa e dos Direitos Culturais?...são algumas das questões que tomo como ponto de partida.

Curriculum:
Rui Matoso é investigador-membro da European Communication Research and Education Association, e investigador convidado do Instituto Vilém Flusser (Berlin).
Gestor e Programador Cultural. É investigador no Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT) e doutorando em Ciências da Comunicação - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT). Mestre em Práticas Culturais para Municípios - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Pós-graduado em Gestão Cultural pela ULHT. É docente na Escola Superior de Teatro e Cinema, onde leciona no Mestrado e na Licenciatura de Teatro / ramo produção, e na Escola de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação (ECATI)/ Universidade Lusófona. É formador certificado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e pelo Centro Científico-Pedagógico da Formação Continua.
Em 2014 foi Consultor Científico para o Plano Estratégico 2015-2020 da Artemrede (www.artemrede.pt/). E coorganizador do Ciclo de Conferências 'Cultura, Espaço Público e Desenvolvimento: Que opções para uma política cultural transformadora' e autor da respetiva publicação, promovidas pela CIMAC- Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central.
É membro da comissão de fundadores da Universidade Popular de Torres Vedras, onde coordena a área de programação cultural e editorial.
É desde muito jovem, dirigente associativo em diversas entidades culturais em Lisboa e Torres Vedras, designadamente da Associação Agostinho da Silva e do Cine-Clube de Torres Vedras.



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