Doutor Manuel Gama


Súmula da Conferência:
Na última década do século XX, as administrações local e central do Estado iniciaram um processo de dotação de um conjunto muito significativo de cidades portuguesas com salas de espetáculos com o objetivo de favorecer o acesso generalizado da população portuguesa a oferta neste domínio cultural. Este processo surgiu devido à existência, um pouco por todo o país, de uma série de salas de espetáculo, muitas delas localizadas nos centros históricos e com muita história para as populações locais, fechadas ao público e em estado avançado de degradação. A evolução do processo foi tal que, em março de 1999, Manuel Maria Carrilho apresentou no Centro Cultural de Belém um plano para a criação de uma Rede Nacional de Recintos Culturais/Rede de Teatros Históricos, que posteriormente viria a ser comummente denominada de Rede Nacional de Teatros e Cineteatros. Lamentavelmente o processo e o plano não foram acompanhados por um. A pouca consistência concetual teve consequências que ainda se sentem no ano de 2017 e que permitiu que na maioria dos casos: não tenham sido realizados estudos prévios para perceber a que necessidades – locais, regionais e nacionais – a sala de espetáculos poderia e deveria responder; não tenham sido estabelecidas estratégias para o funcionamento do equipamento a curto ou médio prazo, nem adstritas equipas técnicas qualificadas para a sua programação e gestão; não tenha sido definido um plano de integração da infraestrutura cultural na cidade e na rede de atores sociais que a integram; e não tenham sido definidas estratégias para o estabelecimento de ligações, formais ou informais, com as outras infraestruturas que foram sendo recuperadas, ou construídas de raiz, ao abrigo do mesmo processo e plano político de iniciativa das administração central e local. Na presente comunicação vai fazer-se uma análise crítica da Rede Nacional de Teatros e, que na realidade nunca existiu, procurando, desta forma sublinhar a importância de, a curtíssimo prazo, colocar em marcha uma estratégia que permita uma visão holística do conjunto da mais de uma centena de infraestruturas desta tipologia.

Curriculum:
Bolseiro de Pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Doutorado em Estudos Culturais, Mestre em Educação Artística, Licenciado em Gestão Artística e Cultural, Frequência do Curso Superior deTeatro. Investigador no CECS-UM desde 2011, Docente no IPVC desde 2009.
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