Dodi Leal


Súmula da Conferência:


O movimento da sala interrogando a cena é uma das marcas características de um momento histórico em que a criação teatral deve estar em ressonância com as demandas sociais que lhe são contemporâneas. A passagem da alteridade para a representatividade como um reclamado paradigma de criação teatral conota a forte tensão estabelecida das políticas da cena com movimentos comunitários. Por sua vez, o crescente número de produções teatrais a abordar as transgeneridades no Brasil na última década caminha junto com processos sociais de luta por reconhecimento e visibilidade das populações transgêneras. A apresentação visa trazer alguns apontamentos preliminares das discussões da tese de doutorado em andamento que investiga a performatividade e a receção das transgeneridades tendo como matriz o trabalho A Demência dos Touros, do grupo Teatro do Perverto (São Paulo, 2017).

Curriculum:
Doutoranda em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Faz atualmente o Visiting Scholar no programa de Doutoramento em Estudos Artísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com concentração na área de Estudos Teatrais e Performativos. Licenciada em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Habilitada em Cinema e vídeo pelo Baccalauréat interdisciplinaire en arts da Université du Québec à Chicoutimi (UQAC, Québec-Canadá). No mestrado, na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, pesquisou o Teatro do Oprimido no programa de Orçamento Participativo de Santo André. Estudou Teatro do Oprimido com Augusto Boal e CTO-Rio, participando de diversos festivais nacionais e internacionais. Acompanhou o trabalho de grupos e curingas de TO no Brasil, Argentina, Turquia, Espanha, Inglaterra, Portugal, França, Chile, Bolívia e Canadá. Foi professora de disciplinas ligadas à práticas pedagógicas em arte no curso de Licenciatura em Música da Faculdade Carlos Gomes. Desde 1999 trabalha como atriz em espetáculos de teatro e em 2005 fundou o Coletivo Metaxis de Teatro do Oprimido, o qual dirige desde então. É autora do livro teórico Pedagogia e Estética do Teatro do Oprimido: marcas da arte teatral na gestão pública, coleção Pedagogia do Teatro da Editora Hucitec e do livro de poesias De trans pra frente, Editora Patuá. Foi coordenadora de pesquisa-ação e artista-educadora de teatro do Piá - Programa de Iniciação Artística da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Na dança foi intérprete do trabalho 'Frouxos Cortes de uma Bixa Foucaultiana' (Coletivo do Dançamento, 2015), na área teatral dirigiu o espetáculo "Trans-Teatro" (Coletivo Metaxis, 2016). Integra o Coletivo Teatro do Perverto participando como dramaturgista da montagem A Demência dos Touros (2017). Desenvolve tese de doutorado sobre performatividade transgênera e recepção, onde aponta a transição de gênero da área do masculino para o feminino: do Teatro para a Teatra.

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