Conclusões


CONCLUSÕES DO CONGRESSO

Em 2010 a UNESCO tornava público objectivos que visavam acima de tudo assegurar que a educação para as artes fosse acessível a todos e uma componente fundamental e sustentável para uma elevada qualidade na Educação.

E em Amarante, que calorosamente acolheu este I Congresso Internacional: As Artes na Educação, o início não podia ter sido mais marcante. Uma belíssima homenagem às Artes ao encargo do Grupo de Teatro Filandorra. E desta forma, os costumes e as tradições locais iniciaram assim três dias em que se pretendia falar de Arte, sentir a Arte, viver a Arte e levá-la de forma mais enraizada aos nossos quotidianos.

Na mesa de abertura:

- O Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Amarante- Dr. José Luís Gaspar;

- O Exmo. Sr. Delegado da Direcção Regional da Cultura do Norte- Dr. António Ponte;

- O Exmo. Sr. Representante do Magnífico Reitor da UTAD- Professor Doutor Marcelino de Sousa Lopes;

- O Exmo. Sr. Director do Centro de Formação da Associação de Escolas do Alto Tâmega e Barroso- Mestre Altino Rio;

- O Exmo. Sr. Representante do Instituto Empresarial do Tâmega- Dr. Pedro Barros.

Pela voz do Exmo. Sr. Presidente da Câmara vieram as sábias palavras de que efectivamente Arte e Educação devem caminhar de mãos dadas desde tenra idade para proporcionar um futuro mais promissor. Aliás, palavras que também nos chegaram por um dos ícones desta área: Giséle Barret que nos honrou com um belíssimo artigo que inicia o livro que compila as comunicações.

 A conferência inaugural esteve a cargo da Professora Doutora Ana Benavente que ao sabor da poesia de Alberto Caeiro nos relembrou as palavras do poeta:

“E os meus pensamentos são todos sensações.

E pela arte sentimos.”

A frase marcante “Não tenho saudades nenhumas da minha escola” levou-nos a uma reflexão sobre o papel fundamental da Arte. Numa aprendizagem que deve começar cedo e passa pelo aprender a gostar de ler e aprender a gostar de pintar, por exemplo. Actividades fundamentais e que claramente deveriam constar na Escola de hoje.

E a reflexão profundamente inquietante: que crianças e jovens temos hoje confinados em espaços onde o espírito crítico não as prepara para a cidadania activa? Algo que terá certamente consequências comprometedoras no futuro, visto que vigora um modelo de escola empobrecida, que visa apenas estatísticas e rankings e não a formação/educação do indivíduo.

“Para uma escola com sentido” foi uma comunicação marcante e que abriu de forma singular o vasto leque de painéis, motivando a plateia à troca de ideias, ao debate,

No painel I- O Cinema/Multimédia na Educação, pelas palavras do Dr. Abi Feijó tivemos um relato/selecção de filmes, experiências artísticas realizadas em diversas escolas do país em que as crianças assumiram o papel de realizadores. O orador deixou-nos a mensagem de que é importante dar liberdade à mensagem para criar, pedir-lhe mais do que o esperado, precisamente para estimular a sua criatividade, a sua iniciativa e no futuro autonomia e responsabilidade. Este projecto tinha a particularidade de utilizar materiais reciclados, recorrendo portanto a variadas técnicas de ASC.

Pela Professora Doutora Graça Lobo destacou-se o papel do cinema na escola e lembrou-nos que no acto de ver um filme há claramente um lado lúdico, de entretenimento, mas que não pode nem deve anular as evidentes potencialidades pedagógicas.

Para além de haver necessidade de incidir na formação de alunos nomeadamente pelo contacto com a sala de cinema. Esta aproximação levaria a um contacto mais estreito entre alunos e filmes.

A Dra. Isa Catarina Mateus continuou a viagem por dentro do filme, mas incidindo desta vez nos instrumentos da análise fílmica que nos permitirão perceber linguagem, universo, contexto, autor e intertextualidades fílmicas,

Oradores e plateia foram unânimes na necessidade de criar hábitos de ver filmes, tradição que já vigorou no país mas que tendeu a cair em desuso.

 As artes deverão pois existir na escola, deverão sim ser melhor implementadas e dinamizadas,

No painel II- As Artes Plásticas na Educação, contamos com a presença da Mestre Daniela Garcia que nos trouxe uma frase sobejamente conhecida “Tudo é comunicação”. E quando se fala em áreas como comunicação e design a frase ganha ênfase.

Nas palavras da oradora o desenho permitirá potenciar a criatividade pela união mão/cérebro. Uma comunicação que se centrou precisamente no desenho como forma de expressão.

O Dr. Dantas Lima falou-nos da plasticidade das Artes e Rituais como meio de Educação Comunitária. E uma vez mais reforçou-se a necessidade da comunidade se interligar com as escolas. Se bem que o galopante encerramento das mesmas e as medidas de segurança que impedem o acesso aos edifícios (e que são claramente necessárias) acabam por ser factores que inviabilizam a aprendizagem das tradições locais nos espaços escolares.

A Professora Doutora Lúcia Magueta centrou-se na realidade do Primeiro Ciclo e em como se trabalham as artes plásticas com as crianças. Na verdade, a sua criatividade é actualmente limitada na medida em que maioritariamente tudo se resumo a colorir o que já está feito, inibindo o processo criativo por parte da criança.

Abordou ainda a questão da formação dos próprios professores e o relacionamento que estabelecem com a expressão plástica.

A Doutoranda Vera Silva falou-nos do desenho enquanto espaço de conhecimento individual e subjectivo. A finalidade seria incentivar o uso do papel e dos materiais de escrita.

Açúcar, massas, papéis, alfinetes, enfim, foram mostrados trabalhos elaborados com os mais diversos materiais claramente promotores de criatividade.

No painel III- Educação Comunitária e Intervenção Artística, pelas palavras do Professor Doutor Avelino Bento incidimos na questão do teatro comunitário e a dimensão que preocupou e preocupa o ser humano, sendo que pelo teatro comunitário se gera a ligação com o mundo e se promove o envolvimento colectivo.

Teatro Amador e Teatro comunitário associados à pólis. Em que os grupos se re-encontram e se re-organizam, respeitando a dignidade humana.

O Professor Doutor Marcelino de Sousa Lopes incidiu também no conceito de comunidade. O nome do teatrólogo Augusto Boal foi evocado numa comunicação que claramente provocou a plateia à reflexão sobre as potencialidades do ser humano como criativo, agente que interage, socializa.

A ênfase não será dada ao espectáculo, ao produto final do mesmo, mas acima de tudo ao reforço dos laços sociais entre a comunidade partindo do princípio que a arte é um direito.

O Professor Doutor Joaquim Escola não fugindo (e ainda bem) às suas raízes na Filosofia, centrou a sua atenção nas questões do teatro, sobretudo ligado à comunicação e educação intercultural, e a sua dimensão instrumental, criando assim condições para uma intervenção comunitária.

Num mundo em que a interculturalidade está na ordem do dia seria impossível não o ligar ao teatro.

Reforçou-se que há que promover uma educação intercultural, factor fundamental e um grande desafio num contexto globalizado. Falamos aqui de um espaço de reconhecimento em que é decisivo o encontro entre o EU e o OUTRO.

No painel IV- A Dança na Educação, contamos com as presenças da Doutoranda Susana de Figueiredo, Professor Daniel Tércio e Professora Doutora Elisabete Monteiro que nos trouxeram esta forma de expressão artística- a dança- e os seus contributos ao indivíduo, ao colectivo. A linguagem corporal sobrepôs-se às palavras e os gestos, o ritmo, a melodia entraram uma vez mais neste congresso reforçando-se que as disciplinas artísticas deverão fazer parte de uma área disciplinar,

No painel V- O Teatro da Educação, contamos com as comunicações do Professor Doutor Victor Ventosa que nos trouxe de forma clara as potencialidades do musical infantil. O Professor Doutor Roberto Sanches Râbello partilhou-nos o seu extraordinário trabalho da educação de jovens cegos, precisamente pelo teatro.

O Professor Doutor Manuel Vieites fez uma refexão que motivou o debate na plateia com a sua intervenção “Discurso aos civilizados sobre a dimensão educativa do teatro”. Honrar os mestres e dar continuidade ao seu legado, fomentando o livre pensamento.

No painel VI- A Música na Educação, as intervenções da Professora Doutora Maria Do Amparo Carvas, Professor Doutor Agostinho Diniz Gomes e Professora Doutora Graça Boal Palheiros, a sala encheu.se efectivamente de notas musicais que nos inspiraram, nos fizeram re-lembrar e sentir que música tem um papel fundamental a desempenhar no processo educativo das crianças e que deverá ser mantido ao longo da vida.

No painel VII- Artes Performativas na Educação, a mesa foi composta pela Professora Doutora Ana Carvalho, Professora Doutora Célia Vieira e Professor Doutor Marcelo de Andrade Pereira. A reflexão começou pelas artes cénicas como meio de construção de um espaço em que o evento é apresentado. Fez-se aqui a ponte entre o que vemos no produto final e o que é necessário para criar os espaços, os ambientes.

Deu-se ênfase a esta forma de expressão ser capaz de transformar a humanizar a sociedade.

À noite, o grupo Enre’Arte trouxe-nos as memórias, as tradições, os costumes locais. E numa representação intergeracional que passou pelo teatro e pela música, afirmou-se de forma categórica a identidade de Amarante, a cidade que abriu as portas a este congresso.

No painel VIII- Animação Artística e Educação, contamos com as presenças do Professor Doutor Amílcar Martins, Dra. Teresa Alexandrino, Professor Doutor João Gomes e Professor Doutor Marcelino de Sousa Lopes. O impacto visual das expressões artísticas impôs-se de forma ímpar. Relatara-se experiências, vivências artísticas, memórias que cativaram a plateia e geraram a curiosidade.

Nos Relatos de Experiências Artísticas na Educação, contamos com a presença da Professora Doutora Ana Vasconcelos, Dra. Liliana Soares deAbres, Doutoranda Joana Nogueira e Mestre Elsa Cerqueira.

E como o próprio título indica tivemos a oportunidade de alargar horizontes pelo conhecimento de práticas, de dinâmicas que atestam precisamente que a Arte jamais poderá ser remetida para um plano secundário.

O encerramento a cargo do Professor Doutor João Soeiro de Carvalho poderá ter finalizado os trabalhos deste congresso, mas claramente deu continuidade a questões que aqui se deixam para que a Artes renasam!

E terminaremos fazendo referência ainda aos documentários visualizados e entre “Terras de Sonhos”, ao sabor dos aromas, cheiros, paisagens, pelo vínculo às gentes, à sua identidade cultural se lembrou a urgência de continuarmos a ser Pessoas nos espaços onde nascemos, onde crescemos, onde estamos como agentes de um mundo globalizado sim mas em que pesas Artes todos nos podemos rever e encontrar no OUTRO. Todos podemos sentir, ver e ser efectivamente Arte!

Mas para isso teremos que nos questionar constantemente:

- que papel assumimos neste contexto: o de meros espectadores ou ousamos criar e ser agentes?

- como questionamos o estado actual do país? Limitamo-nos a lamentar e criticar ou inovamos, metemos mãos à obras e damos o primeiro passo?

Amarante, Novembro de 2014

Os Coordenadores:
Dr. José Dantas Lima
Professor Doutor Manuel Vieites
Professor Doutor Marcelino de Sousa Lopes

Redactora das Conclusões: Dra. Marina Maltez